BEHAR
Behar, בהר
Aspectos da 32ª
O texto desta Parashá é:
Behar, בהר -(Levictus 25:1-26:2) >>Sigf. Descanso
Salmo 112
Haftará >>Jeremias 34:6-27

A parashá de Behar descreve os mandamentos relativos a terra de Israel. Inicia com o mandamento de shemitá, mandamento que ordena deixar o campo sem cultivo ou colheita no sétimo ano de uso da terra. Também descreve o yovel, ou o 50º ano, no qual as propriedades retornam aos seus donos ancestrais. Prossegue com a enfâse na necessidade de auxiliar os necessitados à saírem de seu estado de necessidade, com os mandamentos referentes à escravidão e remissão de escravos assim como mandamentos acerca do Shabat.
Behar, concentra-se principalmente nas mitsvot referentes à terra de Israel, começando com a ordem de cumprir Shemitá - a mitsvá de deixar o campo sem cultivo a cada sete anos, abstendo-se de plantar e colher. Da mesma forma, a terra em Israel deve permanecer não cultivada no Yovel, ou 50º ano, quando então a propriedade de todas as terras retorna automaticamente à sua herança ancestral.
D'us promete que abençoará a terra no sexto ano, para que produza alimentos suficientes para durar por todo o período de Shemitá. Após descrever este processo, pelo qual os proprietários originais da terra podem redimir sua propriedade ancestral nos anos que precedem Yovel, a porção muda para falar sobre os pobres e oprimidos. Não apenas somos ordenados a dar-lhes tsedacá e fazer atos de bondade, como o ideal seria fornecer-lhes os meios para sair de seu estado de pobreza.
Somos proibidos de receber e pagar quaisquer juros em empréstimos feitos a outraspessoas compromissada com a Torah. A Torá então discute os vários detalhes a respeito de servos judeus e não-judeus que trabalham, e a mitsvá de redimir os compromissadados com a Torah, que são servos de não-judeus. Todos os servos judeus devem ser libertados antes do início do ano Yovel.
A porção conclui repetindo a proibição da idolatria, e as mitsvot de guardar o Shabat da profanação e reverenciar os locais santificados de D'us.
A porção desta semana da Torá pinta um quadro sinistro para os fazendeiros do Israel. Após receberem ordens na Parashá Kedoshim (Vayicrá 19:9) de que algumas porções da colheita devem ser deixadas para os pobres (como os cantos dos campos, a produção esquecida quando da colheita, etc.), esta semana a Torá informa ao fazendeiro que deve também observar a Shemitá, permitindo que seu campo permaneça inculto a cada sete anos.
Certamente, esta é uma pílula difícil de engolir: manter-se casher e celebrar o Shabat são uma coisa, mas sacrificar o próprio meio de vida por um ano inteiro parece equivalente ao suicídio financeiro. Por que a Torá exigiu tanto de simples fazendeiros?
Embora vários comentaristas ofereçam interpretações do mandamento da Shemitá, o Keli Yacar rejeita a maioria destas explicações e em seu lugar oferece sua própria hipótese.
Ele teoriza que a Torá havia exigido a cessação de toda atividade agrícola a fim de inculcar no povo compromissado com a torah um senso de confiança e fé em D'us.

Se eles tivessem permissão de plantar e colher à vontade, chegariam à conclusão equivocada que seu meio de vida e sustento devem ser atribuídos à sua própria labuta e esforço. Os judeus deduziriam erroneamente que seu próprio controle sobre as forças naturais do mundo estabeleciam seu destino e seu sucesso.
Portanto, o Criador instituiu o ciclo Shemitá para que o povo judeu percebesse que suas conquistas e realizações dependem completamente da graça e boa vontade Dele. Quando confrontado com a realidade da colheita inexistente, os judeus não têm outra escolha a não ser voltar-se para D'us por sustento e apoio.
Embora muitos de nós, como não somos fazendeiros, não possamos apreciar completamente a importância de um ano Shemitá, mesmo assim podemos também extrair uma lição para nossa vida.
Bear conclui nossa vida
O descanso da terra nas promessas

Shemitá - O descanso da terra a cada sete anos
Muitas vezes tornamo-nos presas de nosso sucesso, dando-nos tapinhas nas costas e nos congratulando por um trabalho bem feito. Deixamos de perceber a verdadeira fonte de nossa prosperidade. Iludimo-nos pensando que "minha força e o poder de minha mão trouxeram-me esta riqueza" (Devarim 8:17). Apenas quando passamos por tempos difíceis finalmente percebemos nossa impropriedade.
A fim de lembrarmo-nos do verdadeiro Provedor de nossas necessidades, o Criador deve tomar atitudes severas que nos forçarão a reexaminar nossa autoconfiança. Ao suportar estes tempos duros e que exigem muito de nós, podemos chegar a uma total apreciação da bondade e compaixão de D'us
Shemitá - O descanso da terra a cada sete anos
Como se sabe, D'us ordenou ao povo judeu: "O sétimo dia da semana é Shabat. Neste dia, vocês devem abster-se de fazer quaisquer tarefas cotidianas."
D'us também nos ordenou que guardássemos outro tipo de Shabat: "A cada sete anos, a terra de Israel terá um 'Shabat'. Neste ano de descanso, não podereis trabalhar a terra."

Shemitá - O descanso da terra a cada sete anos
O Shabat da terra chama-se Shemitá,que significa "deixar livre" ou "retirar-se". Durante o ano de Shemitá os agricultores de Israel abstém-se de lavrar a terra.
Por que D'us ordenou ao povo judeu a mitsvá de guardar os anos de Shemitá?
Façamos uma analogia com o cumprimento do Shabat.
Cumprimos o Shabat para recordar que "D'us criou o mundo em seis dias e no sétimo dia Ele descansou."
Mais que isso, porém: uma pessoa compromissada com a Toráh, quando cumpre Shabat, demonstra que confia em D'us e compreende que D'us cuida dele. Como ele deixa de ganhar seu sustento uma vez por semana? Não teme que sua família não tenha o suficiente para viver? A resposta é que ele confia verdadeiramente em D'us, que ordenou descansar no Shabat, e que proverá tudo de que necessita.
D'us deseja que Seu povo, em qualquer o lugar onde esteja, deposite sua confiança Nele, e somente Nele. Ele temia que os judeus estabelecidos em Israel, que possuíam terras férteis e fecundas, começassem a depositar sua confiança na terra.
Por isso, D'us ordenou ao povo judeu uma mitsvá para guardarem em Israel: a mitsvá de Shemitá. Sempre que um agricultor judeu guarda a mitsvá de Shemitá, ele lembra que "D'us é o Criador do mundo, é Quem me alimenta, e à minha família."

As três promessas de D'us
D'us fez três promessas ao povo, se observassem a mitsvá de Shemitá:
1. D'us prometeu que a colheita do ano anterior ao ano de Shemitá duraria três anos: "Não se preocupem. Abençoarei a terra, de modo que a colheita do sexto ano seja suficiente para o sexto, sétimo e oitavo anos."
2. D'us prometeu que "Durante o ano de Shemitá ficam satisfeitos, apesar de comerem pequenas quantidades de alimento. Assim, sua produção agrícola durará."
3. E a terceira promessa: "Se guardarem tanto os anos de Shemitá como os de Yovel (vide explicação mais adiante), estarão seguros em Israel. Porém se não observarem nem Shemitá, nem Yovel, seus inimigos os forçarão ao exílio."
Há leis especiais referentes ao ano de Shemitá; e estão divididas nas três categorias a seguir:
Em shemitá os frutos do perdão
A terra é sagrada no esquecer a ofensa

1. No ano de Shemitá um judeu não pode trabalhar a terra em Israel
O ano de Shemitá começa em Rosh Hashaná e termina antes de Rosh Hashaná do ano seguinte. Neste período, um lavrador judeu, em Israel, não pode semear, arar, plantar ou colher; tampouco pode arar ou realizar qualquer tarefa que implemente o solo. É um ano de descanso do trabalho agropecuário. Apenas os cuidados mínimos necessários especificados pela halachá (lei judaica) são permitidos, a fim de evitar que as plantas pereçam.

2. Os frutos do ano de Shemitá são sagrados e não pertencem ao agricultor
Durante o ano de Shemitá, um agricultor não pode colher todos os frutos para si, mesmo que veja suas árvores frutíferas florescerem e darem frutos. Os frutos que crescem durante o ano de Shemitá não pertencem ao seu dono. Pertencem a D'us, Que ordenou que fossem compartilhados igualmente entre todos. Qualquer judeu que queira pode colher alguns frutos para si. O proprietário não pode trancar o portão e impedir que outros judeus entrem. Estes podem colher tudo o que necessitam para aquele dia; não podem, todavia, pegar mais que isto. O proprietário pode comer da produção de seus campos como qualquer estranho, e levar para casa o suficiente para as refeições de um dia, porém não pode colher toda a produção, pois isto seria como se estivesse reivindicando sua propriedade.
Se alguém, durante a Shemitá, colher produtos do seu campo para comer em casa, não é permitido que os estoque indefinidamente. Deve removê-los de suas posses num determinado prazo, e deixar que outros, ou os pobres, os tenham.

3. O perdão dos empréstimos no ano de Shemitá.
O prazo para remoção é diferente para cada tipo de produto, coincidindo com o momento em que as produções agrícolas particulares não estejam mais à disposição nos campos.
Todos os frutos que crescem no ano de Shemitá são santos e devem ser tratados com o devido respeito, de maneira diferente dos outros frutos. As frutas não podem ser vendidas. As cascas e outras partes não comestíveis não podem ser jogadas no lixo, mas deixadas no campo, ou que se estraguem sozinhas.
As verduras têm uma lei diferente:
Nossos Sábios decretaram que não se pode comer nenhuma verdura que cresce no ano de Shemitá. Temiam que se não existisse esta lei, alguém desonesto poderia plantar verduras na Shemitá e dizer que cresceram sozinhas.
Um judeu que emprestou dinheiro a outro não pode exigir sua devolução daquele que o tomou emprestado, ao término do ano de Shemitá. Esta mitsvá se aplica tanto em Israel como na diáspora.
Em Yovel observamos o shofar
É uma mitsvá tocar

Mais detalhes sobre o significado de Shemitá
As leis de Shemitá expressam conceitos fundamentais da Torá:
1. Observando-as reconhecemos que não possuímos a Terra.
D'us ordenou: "Descanse no sétimo ano para que saiba que Minha é a Terra."
2. Durante a Shemitá, o fazendeiro é forçado a virar-se diretamente ao Todo-Poderoso e implorar-Lhe que provenha seu sustento, pois está proibido de trabalhar para prover a si mesmo de alimentos. Desta feita, chega a compreender que mesmo nos outros seis anos nos quais é permitido trabalhar, ele ceifa apenas por causa da Providência do Todo-Poderoso, e não como resultado de sua própria labuta.
A pessoa vompromissada com a torah, não deve tornar-se auto-confiante e pensar que sua prosperidade é resultado do trabalho de suas próprias mãos. Ele deve estar cônscio de dois pontos:
• A fertilidade da terra e prosperidade da colheita são determinadas por fatores além de seu controle como as chuvas, calor ou geada, e assim por diante. D'us pode enviar animais selvagens, insetos, ou outros agentes prejudiciais para destruir a produção inteira, se Ele assim o desejar.
• Não só isso, como o próprio crescimento da planta não é resultado automático de ter sido semeada. Nada consegue crescer, brotar, desenvolver-se, ou sequer existir sem a Vontade do Todo-Poderoso. Se Ele retirar Sua Vontade de Conceder Vida de algo no universo, nem que seja por um instante, cessaria de existir.
O tipo de profissão escolhido pela pessoa não lhe garante uma vida de prosperidade ou pobreza. D'us despeja riquezas sobre cada indivíduo conforme Ele julga adequado. Portanto, cada um deve implorar-Lhe, a Quem é o Mestre de todas as riquezas que lhe conceda sustento.
A lição de Shemitá aplica-se não somente ao fazendeiro judeu, mas igualmente ao lojista, industrial, vendedor, profissional liberal e operário.
Em qualquer estágio de sua carreira ele pode sucumbir ao equívoco de que é seu trabalho ou esforços que asseguram-lhe o sustento. Tampouco seu negócio, nem sua indústria ou empregador são seus "fornecedores de sustento." Há apenas Um Que é o encarregado, e somente Ele determina se alguém terá sucesso em seus esforços ou não. Não importa quão desesperadamente um homem luta para ser bem sucedido em seus negócios, seus planos serão sabotados e darão em nada, se assim for decretado no Céu. Por outro lado, se o decreto Celestial for que deva prosperar, um esforço mínimo garantirá o mesmo resultado.
3. O Todo-Poderoso pretende que o ano seja de inatividade do trabalho, a fim de que os agricultores possam dedicar-se ao estudo da Torá. Da mesma forma que Ele proibiu que trabalhássemos em Shabat a fim de dedicarmos este dia, assim Ele destinou cada sétimo ano a ser uma época de incremento nos estudos da Torá.
A Torá nos conta as conseqüências acarretadas por um judeu que falha em observar Shemitá:
• D'us disse: "Eu te ordeno a trabalhar seis anos e permitir à Terra descansar no sétimo, porém tu a privas de seu devido descanso. Portanto, serás exilado, e ela então será recompensada de todos os anos de descanso dos quais a privaste." (Vayicrá 26:43).
Hoje em dia também observamos Shemitá?
Apesar da destruição do Templo Sagrado, todas as leis acima mencionadas também vigoram atualmente na Terra de Israel.
Os proprietários de terras em Israel devem cumprir a mitsvá de Shemitá. Podem regar as plantas o suficiente apenas para que não ressequem. Os que guardam o ano de Shemitá sabem que não terão entradas durante um ano, por não trabalharem em seus campos; porém são heróis que confiam em D'us.
Os produtos de Shemitá não podem ser vendidos comercialmente, por causa de sua santidade; nem mesmo após o ano de Shemitá, uma vez que são sagrados para sempre. De acordo com muitos rabinos esses não podem sequer ser exportados para países fora de Israel.
Consumidores de produtos importados de Israel devem certificar-se de que não estão comprando nada que tenha crescido em anos de Shemitá. Produtos frescos de Israel geralmente chegam ao exterior durante o ano de Shemitá, e no seguinte. Enlatados fabricados em Shemitá permanecem no mercado ainda por muitos anos.
Os judeus que vivem na diáspora também podem participar da mitsvá de Shemitá doando dinheiro a um fundo especial de auxilio aos agricultores que guardam Shemitá.
O Midrash compara os judeus que se abstém de trabalhar a terra durante Shemitá aos anjos. Sua confiança em D'us eleva-os tanto que parecem mais anjos que seres humanos.
Nossos Sábios ensinam: "Mashiach virá ao final de um ano de Shemitá". Os que observam o ano de Shemitá como se deve contribuem para a chegada de Mashiach.
A mitsvá de Yovel após sete Shemitot
Para um agricultor judeu, é muito difícil não trabalhar os campos e pomares durante um ano inteiro, não podendo dispensar-lhes os cuidados adequados. Que dirá então o quão difícil é para ele não trabalhar a terra por dois anos seguidos!
Na época do Templo Sagrado isto era exatamente o que acontecia a cada cinqüenta anos. A Torá nos ordena a guardar um ano de Yovel (Jubileu) a cada 50 anos. Em Yovel, tal como em Shemitá, é proibido trabalhar a terra. Atualmente, não se guarda o Yovel.
O Yovel caracterizava-se por três obrigações, que recaíam sobre a nação inteira:
1. Abstenção de qualquer trabalho agrícola, exatamente como em Shemitá.
2. Liberdade incondicional para todo escravo hebreu.
3. A devolução de todos os campos aos seus proprietários originais.
No Yovel, os escravos judeus são libertados
A cada ano de Yovel, em Yom Kipur, o San'hedrin (Tribunal Superior) tocava o shofar. A seguir os judeus em Israel, tocavam o shofar. O som podia ser ouvido em Israel inteira, anunciando: "Chegou a hora de libertar todos os escravos judeus. Todos os que possuem escravos judeus devem libertá-los e enviá-los à suas casas."
Não importava se o escravo recém começara a servir seu senhor, ou se já havia trabalhado seis anos, todo escravo judeu tinha de ser enviado de volta ao seu lugar de origem.

O que nos ensina a mitsvá de tocar o shofar no Yovel?
O toque do shofar era um lembrete para ouvir e observar esta mitsvá. Depois de possuir um escravo por um longo período, o amo deve achar difícil mandá-lo embora; assim como o escravo pode ficar relutante em deixar seu amo.
De Rosh Hashaná até Yom Kipur do ano de Yovel, um escravo não retorna à sua casa; nem seu amo pode empregá-lo. Em vez disso, senta-se à mesa de seu amo, come, bebe, e relaxa. Quando o shofar é tocado em Yom kipur, ele finalmente parte.
Este período de dez dias de transição ajudam-no a readaptar-se à liberdade.
D'us disse: "Quando tirei o povo judeu do Egito, tornaram-se Meus escravos. Por isto, nenhum judeu poderá servir a outro por toda a vida, somente Eu posso exigir tal submissão."
O que nos ensina a mitsvá de tocar o shofar no Yovel?
O toque do shofar no ano de Yovel anuncia a libertação de todos os escravos judeus.
Da mesma forma, um dia escutar-se-á um magnífico toque do shofar, que anunciará a vinda de Mashiach. Este som será o início da verdadeira liberdade para o povo judeu. Mashiach virá e construirá o Terceiro Templo Sagrado. D'us libertará o mundo da morte e da má inclinação. A ressurreição dos mortos será realidade, e viveremos para sempre.
Rezamos diariamente na oração da Amidá para que isto aconteça logo: Soe o grande shofar anunciando nossa liberdade!Clique aqui e comece a escrever. Est laborum et dolorum fuga et harum quidem.
No Yovel, todos os campos retornam aos seus antigos proprietários
No ano de Yovel, todos os campos devem ser devolvidos ao dono original (ou seus descendentes) a quem foi dada a terra quando a Terra de Israel foi dividida entre as tribos. Assim, as propriedades em Israel serão mantidas dentro das tribos às quais foram originalmente destinadas, respeitando a divisão Divina das terras.
A Torá proíbe a compra ou venda de propriedades em Israel, com a intenção de troca de mãos para sempre. Mesmo se tal condição ou cláusula tenha sido erroneamente estipulada, não é acatada, e o campo é restituído ao proprietário original no ano de Yovel.
Quem compra ou vende terras em Israel sabe, então, que a transação não é permanente, mas sim até o ano de Yovel, quando então será devolvida ao seu legítimo dono. Quanto mais perto se estiver do Yovel, tanto menos se pagará por um campo.
D'us disse: "A Terra em Israel não pode ser vendida para sempre, pois não pertence a vocês, mas a Mim. Vocês são apenas estrangeiros e colonizadores nela, e não devem se considerar seus proprietários."
Tal como as leis de Shemitá, as de Yovel também indicam que D'us é o verdadeiro dono de todos os nossos pertences; não somos proprietários permanentes de nossos campos, nem de nossos escravos.
Leis para se adquirir uma casa em Israel
Se um judeu vivia em uma cidade cercada por muralhas na época de Yehoshua (sucessor de Moshê e conquistador da Terra de Israel) e vendesse sua casa, o novo dono deveria devolvê-la no ano de Yovel.
A Torah conclui não enganar e não magoar
Em transações comerciais e verbalmente

Não enganar em transações comerciais
Se um judeu morasse numa cidade que não era cercada por muralhas na época de Yehoshua, não devolveria a casa ao seu proprietário anterior no ano de Yovel. O proprietário tinha o direito de recomprar a casa até um ano após a venda. O novo dono deveria devolvê-la neste prazo. Uma vez, porém, que o ano findasse, o novo proprietário poderia ficar com a casa indefinitivamente.
Contudo, se um Levi vendesse sua casa numa das 48 cidades pertencentes aos leviyim, esta casa deveria ser devolvida no ano de Yovel, independentemente da cidade ser ou não cercada de muralhas.
Não enganar em transações comerciais
A Torá nos adverte: "Ao comprar ou vender um campo, não abuse da outra parte. Calcule exatamente quantos anos faltam para o Yovel e pague o preço justo!"
A Torá nos ordena a tratar os outros honestamente, não só ao vender propriedades, mas sempre que efetuamos qualquer negócio.
Um judeu não deve pedir um alto preço de um comprador que ignora o valor da mercadoria. Se superfaturar enganosamente um cliente, transgride a proibição de onaá. O comprador é igualmente advertido a não trapacear o vendedor, e adquirir uma peça valiosa por preço baixo se o vendedor não estiver ciente de seu valor verdadeiro.

Não magoar a outrem verbalmente
Além da proibição de não trapacear alguém em assuntos financeiros, esta parashá também menciona a proibição de ofender um semelhante verbalmente.A Torá diz: "É proibido magoar com palavras cruéis ou equivocadas." (25:17)
Alguns exemplos inclusos nesta proibição são:
• Lembrar alguém do seu mau comportamento ou de seus pais, no passado.
Devemos também ter o cuidado de, ao relacionar-se com um convertido ou aquele que retornou às raízes judaicas, não lembrá-lo de seu passado. Ele poderia ficar envergonhado ou pouco à vontade.
• Não se pode chamar alguém por algum apelido insultante.
• Se alguém se comporta tolamente, não podemos envergonhá-lo, nem fazer qualquer comentário que lhe seja doloroso.
• Quando alguém vê outro sofrendo, não deve dizer maliciosamente: "É sua própria culpa, seus pecados causaram-lhe isto."
• Se alguém não pretende comprar um artigo, não deve passar ao vendedor a impressão de que o comprará.
• Se alguém nos faz uma pergunta, não devemos responder de maneira rude, responder errado ou fornecer informações incorretas.

A Torá conclui
Certa vez, o sábio Hilel estava andando no caminho e encontrou um grupo de mercadores que possuíam trigo para vender.
"Quanto custa uma seá (medida correspondente a cerca de 8 kg.) de trigo?" - indagou.
"Dois dinares," responderam.
Um pouco depois, deparou com outro grupo de mercadores de trigo, e perguntou novamente: "Por quanto vocês vendem uma seá de trigo?"
"Três dinares," responderam.
"Por que seu trigo é tão caro?" - perguntou Hilel. "Outros mercadores acabaram de me dizer que o preço é de dois dinares a seá!"
"Babilônios estúpidos!" - praguejaram. "Você não sabe que o preço depende da quantidade de trabalho investida na produção do grão?"
"Ouçam-me," censurou-os Hilel. "Formulei uma questão adequada. Por que, então, insultam-me (violando, desta forma, a proibição da Torá)?!"
A censura de Hilel convenceu os mercadores de que agiram errado, e se arrependeram.
A Torá conclui a proibição de magoar os sentimentos alheios com a frase: "E tu deves temer a teu D'us" (25:17). Em muitas situações uma observação pode parecer inocente aos observadores, mas apenas quem está ofendendo sabe que a disse com intenções maliciosas.
Não insultarmos as casas de um necessitado
As leis de redenção

Não insultarmos alguém
Portanto, é ordenado a refrear-se por temor ao Todo-Poderoso, Que sabe os pensamentos que envolvem seu coração.
Nossos Sábios debatem a questão sobre qual dos dois pecados é mais grave: ferir alguém verbalmente ou trapaceá-lo financeiramente.
De acordo com o ponto de vista da Torá, ferir os sentimentos de um semelhante é pior. Há três razões para isto:
1. Ao trapacear, causa à vitima uma perda de propriedade que, afinal de contas, não é parte intrínseca dela. Magoando seus sentimentos, por outro lado, acerta-a em cheio no coração.
2. Alguém pode retificar-se por ter cobrado a mais ou trapaceado alguém em assuntos financeiros, neste caso, o dinheiro pode ser restituído. O dano causado por um insulto, todavia, pode tornar-se irreparável.
3. A Torá conclui a proibição de ofender alguém com as palavras: "E tu deves temer a teu D'us," a fim de indicar a gravidade da proibição.
Como devemos ser cuidadosos para não insultarmos alguém, pois se esta pessoa a quem insultamos clamar por D'us, Ele reage imediatamente..

As leis de redenção das casas e campos em Israel
Quando todas as tribos habitavam em Israel nos territórios que lhes eram destinados, não era apropriado para um judeu vender sua casa ou campo a fim de levantar dinheiro para adquirir algo. A Torá permite que se venda a propriedade apenas se for a pessoa sentir-se forçada pela fome ou necessidades terríveis.
Se alguém for forçado a vender sua propriedade, a Torá lhe concede a opção de readquiri-la ou, segundo a terminologia da Torá, "redimi-la". O novo proprietário é obrigado a vendê-la de volta.
Se não tiver meios para readquirir a propriedade, é uma mitsvá que seus parentes a devolvam. Um parente tem os mesmos direitos de comprar novamente a propriedade vendida, como se fosse o próprio dono.

A obrigação de reerguer sobre seus próprios pés um necessitado
A Torá ordena: "E se teu irmão empobrecer e ficar desprovido de seus recursos, você deve sustentá-lo mesmo se tratar-se de um convertido, ou guer toshav - (um não-judeu que cumpre as Sete Leis de Nôach) para que possa viver com você." (Vayicrá 25:35)
Este versículo ensina que é uma obrigação estender auxílio financeiro a um semelhante judeu ou até a um guer toshav que necessite de um empréstimo ou caridade. É uma mitsvá emprestar ou dar-lhe dinheiro para gerir seus negócios, ou o necessário para alguma transação para a qual lhe faltam os meios.
A Torá enfatiza que devemos reerguê-lo sobre seus pés antes que seja reduzido à bancarrota e necessite de caridade.
S e um burro começa a sucumbir sob sua carga, um homem possui força suficiente para ajustar a carga em seu lombo, ou retirar um pouco dessa, de modo que consiga prosseguir. Uma vez que o burro tenha sucumbido, contudo, nem mesmo cinco homens fortes conseguem colocá-lo novamente de pé.
É proibido emprestar a juros
Mundo vindouro

Ano vindouro
Similarmente, devemos ajudar alguém assim que seus meios começarem a escassear, e não adiar até que tenha ido à falência.
"Bem afortunado é o quinhão daquele que auxilia os pobres sabiamente" (Tehilim 41:2). Dar caridade sabiamente, sem envergonhar quem a recebe é uma arte.
Sempre que Rabi Yoná escutava que um homem muito rico perdera todo seu dinheiro mas estava envergonhado para pedir caridade, costumava visitá-lo em casa e dizer-lhe: "Tenho ótimas notícias para você! Soube que você é herdeiro de uma fortuna de alguém que mora além-mar. Enquanto isso, por favor, aceite um pequeno empréstimo de minha parte! Você me pagará assim que tomar posse do dinheiro."
Ao recuperar-se financeiramente e ir pagar seu débito, Rabi Yoná dizia: "Guarde-o, dei-lhe de presente."
No Templo Sagrado havia uma câmara chamada "Lishcat Chashai" -"Câmara dos Presentes Secretos." Judeus tementes a D'us depositavam dinheiro neste local, e famílias pobres o recebiam anonimamente, conseguindo viver destas doações.
Ao perceber um pobre atrás de si, Rabi Lezer deixava cair propositadamente um dinar, dando a impressão de tê-lo deixado cair acidentalmente. O pobre o levantava e corria para devolvê-lo. "Pode ficar com ele," dizia Rabi Lezer, "Já tinha perdido a esperança de recuperá-lo."
Nossos sábios ensinam: "Se você tiver mérito, satisfará a fome de Yaacov (despenderá dinheiro em caridade); se não, a de Essav (em vez disso, o dinheiro será consumido por "Essav"). Esta verdade é evidenciada pela seguinte história:
Rabi Yochanan ben Zacai sonhou na noite de Rosh Hashaná (quando os proventos de uma pessoa são determinados para o ano todo) que seus dois sobrinhos perderiam a soma de setecentos dinares no decorrer do ano vindouro.

Ordenou-lhes
Após Yom Tov, visitou os sobrinhos e ordenou-lhes que se encarregassem de sustentar os pobres.
"De onde conseguiremos os fundos?" - perguntaram.
"Sustentem-nos com seu próprio dinheiro," ordenou Rabi Yochanan. "Anotem as quantias distribuídas. Se perderem com a proposta, eu lhes reembolsarei ao final do ano."
Os sobrinhos obedeceram, e distribuíram enormes somas para caridade. Perto do final do ano, um oficial do governo romano chegou e exigiu que pagassem setecentos dinares de propina. Para que não reagissem, dois soldados os jogaram na prisão.
Rabi Yochanan ouviu as notícias e foi ver os sobrinhos na prisão.
"Ao todo, quanto dinheiro vocês distribuíram para tsedacá?" - perguntou-lhes.
"Anotamos tudo," retrucaram. Consultando seus registros, calcularam que distribuíram um total de 683 dinares.
"Deixem-me dizer-lhes como agir," instruiu-os Rabi Yochanan. "Dêem-me mais dezessete dinares, e eu garanto que sairão da prisão."
"Que idéia mais esquisita," disseram-lhe. "Estamos sendo mantidos cativos por devermos setecentos dinares, e você diz que nos libertará com dezessete!"
Retrucou: "Apenas dêem-me os dezessete dinares, e não se preocupem!"
Deram a quantia a Rabi Yochanan, que foi ver o emissário do governo. Passando as moedas de suas mãos ao emissário, Rabi Yochanan pediu-lhe que deixasse seus sobrinhos escaparem. Sob a influência da propina, o homem deu instruções para que fossem soltos secretamente.
Os sobrinhos foram a Rabi Yochanan e perguntaram-lhe como sabia com tanta certeza de que dezessete dinares garantir-lhes-iam a fuga.

É proibido emprestar ou tomar emprestado a juros
"Tive uma revelação Divina na noite de Rosh Hashaná de que vocês perderiam setecentos dinares este ano," explicou-lhes. "Uma vez que estavam destinados a terem esta despesa, aconselhei-os a sustentarem os pobres - é melhor gastar esta soma em tsedacá."
"Por que não nos contou sobre seu sonho?" - perguntaram-lhe os sobrinhos. "Teríamos despendido os remanescentes dezessete dinares também em tsedacá."
"Preferi guardar segredo de vocês," respondeu Rabi Yochanan, "para que dessem em prol da própria mitsvá, em vez de pensar que seria em seu próprio benefício."
Esta história demonstra que se alguém é avarento com tsedacá, recairá em despesas imprevistas, que levarão sua renda ao original decretado em Rosh Hashaná passado.
Ao dar tsedacá, o pobre dá ao seu benfeitor mais que o benfeitor dá ao pobre. Enquanto o doador despende apenas riqueza material, recebe, em troca, uma inestimável riqueza de méritos espirituais que ultrapassam de longe o que deu.
Através da caridade, uma pessoa pode ser resgatada da morte neste mundo.
É proibido emprestar ou tomar emprestado a juros
É proibido emprestar ou tomar emprestado de um judeu a juros. A proibição contra os juros inclui dinheiro, artigos, e mesmo palavras. Além disso, qualquer um envolvido na negociação peca, como as testemunhas e fiadores.
A fim de evitar a proibição de cobrar juros, um judeu deve utilizar um contrato haláchico especial (heter iscá; que transforma seu status em sócio silencioso) ao conduzir uma transação envolvendo empréstimos com outro judeu. Deve-se consultar uma autoridade haláchica competente.
A Torá também se refere aos juros com o termo "neshech", que significa "mordida." D'us adverte quem empresta: "Não aja da maneira como a cobra, astutamente oferecendo empréstimo a alguém, e depois extorquindo dinheiro dele através de juros, e gradualmente tomando posse de suas casas, campos e vinhedos por não conseguir pagar os juros."
Deve-se tratar bem o servo
Ano de Yovel

Deve-se tratar bem o servo
No livro de Shemot, a parashá de Mishpatim menciona as leis referentes a um escravo judeu vendido pelo tribunal por roubo. Esta parashá lida com o escravo judeu que se vendeu.
Um judeu não deve se vender como escravo a fim de ganhar dinheiro, adquirir propriedades, animais ou outros bens. A Torá permite isto apenas como último recurso, em caso de extrema penúria.
Um amo judeu é obrigado a sustentar não apenas seu escravo, mas também sua esposa e filhos. Todas as leis de como tratar um escravo como seu irmão também se aplicam ao escravo que se vende. Por exemplo, o mestre deve dar-lhe o mesmo alimento, bebidas, roupas e cama que ele mesmo usa; não pode oferecer-lhe condições de vida inferiores às suas próprias. Se houver apenas um coberto ou travesseiro para o dono e o escravo, a Torá proíbe o dono de utilizá-los; é obrigado a dá-los ao escravo.

Segundo serviço
O amo não pode empregar o escravo noite e dia; é obrigado a conceder-lhe períodos de descanso apropriados. Deve tratá-lo com a mesma dignidade que faria com um trabalhador contratado que não é seu escravo.
Nossa parashá acrescenta a proibição de tratar o escravo judeu de maneira ríspida (25:42). Isto inclui os seguintes pontos:
1. O amo não pode exigir do escravo que realize uma tarefa da qual não necessita realmente. Por exemplo, não pode pedir-lhe: "Esquente água para mim," ou "Esfrie água para mim," quando não há necessidade.
2. O amo não pode confiar ao escravo judeu uma tarefa por período indefinido. Por exemplo, não pode ordenar-lhe: "Cave entre as fileiras deste vinhedo até que eu volte," sem dizer-lhe quando volta.

Ano de Yovel
Uma vez que o que é considerado "tratamento ríspido" depende de circunstâncias subjetivas, e deve, portanto, ser deixado ao discernimento do amo, a Torá adverte: "E temerás teu D'us"! D'us sabe se você tem intenção de degradar ou explorar o escravo. Se o fizer, Ele lhe punirá.
Apesar da proibição de tratar um escravo de maneira ríspida, Maimônides legisla que o virtuoso não deve impor um pesado jugo sobre qualquer escravo, não oprimi-lo, e sustentá-lo de acordo com suas posses.
Especificamente, um servo canaanita de valor merece ser tratado dignamente.
Todo escravo judeu é libertado no ano de Yovel, porque D'us declarou: "Todo judeu é Meu escravo desde o Êxodo do Egito - Meu contrato com o povo judeu é o mais antigo."
A proibição de se prostrar sobre um chão de pedras
A mitsvá de redimir

A mitsvá de redimir um escravo judeu
Na época do Templo Sagrado, infelizmente, alguns judeus estavam tão desesperados por dinheiro que se vendiam a não-judeus idólatras.
Mas isto era lamentável. Num local pagão, logo aprenderia a adorar ídolos e começaria a assimilar costumes não judaicos.
A Torá ordena: "É mitsvá para os parentes de um judeu que se vendeu redimi-lo o quanto antes. E se seus parentes não podem redimi-lo, é mitsvá que outro judeu o redima."
A Torá também ordena que o governo de Israel obrigue o amo não-judeu a libertar o escravo judeu no ano de Yovel.

A proibição de se prostrar sobre um chão de pedras
A Torá ordena: "Não te ajoelharás perante Mim sobre um chão de pedra." (26:1)
Os idólatras costumavam prostrar-se para seus ídolos sobre chãos de pedra. Por isto, a Torá proíbe aos judeus ajoelharem-se sobre um chão de pedra, mesmo que estejam rezando para D'us. Esta mitsvá nos afasta da idolatria.
O único lugar onde podemos prostrar-nos sobre tal chão é no Templo Sagrado (onde é evidente que nos prostramos em honra a D'us).

Terceiro serviço
Uma vez que a proibição da Torá diz respeito apenas a chãos de pedra, não é proibido prostramo-nos em Yom Kipur em sinagogas cujo chão geralmente não são de pedras. Não obstante, é costume estender uma almofada, cobertura ou algo no chão quando nos prostramos.
